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sábado, 26 de maio de 2012

Quatorze


Era barulhento, o som da animação do primeiro dia pontuada pelo batimento ocasional de armário. Os professores não estavam nem tentando controlar isso. Three Rivers era uma pequena comunidade, e as pessoas não tinham que ficar no corredor entre as aulas como tinham que ficar na minha antiga escola, que era lotada demais para deixar o corpo estudantil ficar sem supervisão.

Mais uma vantagem da vida numa cidade pequena.

Eu enfiei meus livros no meu armário e puxei meu horário de aula. Dizia veterana no alto, e eu não consegui evitar meu sorriso. Veterana. Essa era uma boa sensação. Melhor ainda, eu não era mais a garota nova.

Necas. Eu fora expulsa dessa posição estrelar.

“O que envolve estudos de economia doméstica?” Nakita perguntou lentamente enquanto dava uma olhada para a fina folha amarela em seu aperto. Eu a tinha ajudado escolher sua roupa hoje de manhã, e ela estava bonita com sua calça jeans de designer e sandálias que mostravam suas unhas dos pés pretas. Eu não tivera 
que pintá-las dessa cor. Aparentemente ceifadores negros tinham unhas do pé pretas.

Do meu outro lado, Barnabas deslocou sua mochila para mais alto no seu ombro, parecendo com qualquer garoto em qualquer escola com sua calça jeans e camiseta.

“Você vai amar, Nakita,” ele disse, sorrindo forçadamente “Vou ajudar a te ensinar como se misturar. Tente não gadanhar seu parceiro se os biscoitos queimarem.”

Eu sufoquei minha risada, tentando imaginar a ceifadora negra pequenina, atraente, mas às vezes sem noção, fazendo o balanço de um talão de cheques ou Aprendendo como usar o micro-ondas. Meu olhar retornou para o meu horário. Física. Sala de estudos. Inglês avançado com o Josh. Fotografia. Ia ser um bom ano.

Nakita ficou de costas para os armários enquanto tentava entender isso, quase ficando no caminho do tráfego de pedestres.

“O que biscoitos tem a ver com economia?” ela perguntou enquanto jogava seu cabelo para trás num gesto inconsciente que a maioria das modelos passa anos aperfeiçoando. Com aquele cabelo e aqueles olhos, ela era linda, e eu já podia sentir as encaradas enquanto todos se perguntavam o que ela fazia ao meu lado. A história era que ela e Barnabas eram estudantes de intercâmbio, e com uma pequena intervenção angelical, eles tinham os antecedentes para provar. Ao que todos sabiam, eles estavam ficando na minha casa. A verdade era mais... interessante.

A voz de Amy levantou-se mais alta que a tagarelice ao redor, e eu endureci, abrindo meu armário e basicamente me escondendo atrás da porta. Eu não tinha medo dela, mas a mentalidade de rainha do baile me irritava pra caramba.

“Oi!” veio sua voz jovial, e eu me contrai, já que ela devia estar falando com a Nakita. Seu grupo de tolos conformistas estava atrás dela, e eu fingi estar procurando algo. “Sou a Amy,” ela praticamente borbulhou. “Você deve ser a novata. Aquele é o seu irmão? Ele é meio gostoso.”

Barnabas endureceu para parecer charmosamente inocente com seu punhado de cachos e olhos arregalados, e eu sorri. Ele realmente não fazia ideia do quanto era bonito.

“Aquele merdinha fracassado?” Nakita disse, sua antipatia quase pingando visivelmente em poças asquerosas nas sapatilhas de designer da Amy. “É, acho que sim. Isso não quer dizer que eu tenha que gostar dele.”

“Sei o que quer dizer.” Amy fingiu um suspiro sentido. “Tenho um irmão também.” As garotas atrás dela deram risinhos quando ela passou por mim até chegar em Barnabas. “Eu sou a Amy,” ela disse, sorrindo enquanto estendia sua mão.

“Barnabas,” o ceifador disse enquanto lançava-se por mim para dar um abraço lateral em Nakita, a fim de evitar cumprimentar Amy. “Esta é Nakita. Ela é minha irmã favorita. Somos da Noruega.”

Noruega? Eu não consegui evitar sorrir afetadamente quando as amigas de Amy começaram a zumbir atrás dela.

“Achei que você tinha um sotaque mesmo,” Amy disse, apenas levemente envergonhada pelo ligeiro desprezo. “Por que não sentam na minha mesa no almoço? Os dois. Vocês não vão querer comer com os bobocas.”

Incapaz de aguentar mais, eu bati meu armário para fechá-lo.

“Madison! Doçura! Eu não te vi aí,” Amy arrulhou. “Essa regata é de matar,” ela disse, gesticulando. “É tão a sua cara. Minha irmã caçula deu uma exatamente como essa para a caridade no ano passado.”

Nakita estivera me ensinando como usar meu amuleto para atrair energia da corrente do tempo para fazer uma espada, e precisei de toda a força que eu tinha para não praticar isso agora.

“Oi, Amy. Como está o nariz? Você vai remover esse caroço antes do dia da foto?” Isso foi quase tão bom, contudo.

Amy corou, mas eu fui poupada de sua réplica quando seu grupo se afastou dando risadinhas, e Len empertigou-se.

Num movimento rápido, Nakita o agarrou pelo pescoço e o golpeou contra o armário.

Chocada, eu fiquei parada com a minha boca aberta. Ao nosso redor chegaram hoos e vaias.

“Toque-me lá novamente, e você morre, suíno,” ela disse, cada palavra concentrada.

Os olhos de Len estavam arregalados, e seu rosto vermelho enquanto Nakita pressionava-o contra o metal reforçado.

Barnabas ria, mas eu não queria passar meu primeiro dia de aula na sala do diretor.

“Hm, Nakita?” eu propus. A ceifadora respirou alarmada, olhou para os rostos observando, e o soltou. Len tropeçou para recuperar seu equilíbrio, mas nada conseguiria ajudá-lo a achar seu orgulho. Quero dizer, Nakita era menor 
que ele, e parecia uma cabeça de vento, com sua confusão perpétua. É claro, ela parecia uma cabeça de vento envergonhada agora.

“Você é uma doida varrida!” Len gritou, recuando enquanto arrumava sua camisa. “Estão me escutando? São amigos da Madison, não são? Você são tão doidos quanto ela!”

Fiz uma cara de inocente, tentando não rir. Barnabas, contudo,–abafava seu riso – assim como todo o corpo estudantil masculino que vira o incidente.

Amy agarrou seu braço como se estivesse impedindo-o de ir atrás de nós, e ela o afastou quando um professor surgiu da esquina. Não havia nada para se ver, contudo, além do prolongamento da animação e risada. Os caras foram embora com altas respostas grosseiras, e o punhado de estrogênio caminhou atrás deles. Eu exalei, nem mesmo tendo percebido que prendera o fôlego.

“Nakita?” eu disse enquanto abria meu armário novamente. “Precisamos trabalhar na sua habilidade de socialização.”

“Ele me tocou,” ela disse, fazendo cara feia. “Ele tem sorte de ainda estar vivo.”

Minhas sobrancelhas levantaram-se, e eu me perguntei se a ideia dos serafins da Nakita me ensinar como usar meu amuleto e eu ensiná-la como viver com seu novo dom do medo era uma ideia tão boa.

“Certo, mas se quiser ficar na escola, tem que ser mais sutil.”

“Sutil,” a ceifadora ponderou, sua expressão relaxando. “Tipo uma faca sob suas costelas?”

Barnabas se inclinou para perto. “Mude para um dedo, e sim, isso funcionaria.”

Acima de mim veio uma voz tilintante quase no fim da minha consciência. “Era uma vez uma garota que tinha graça.”

Minha atenção voltou-se para cima, e eu sorri para a bola de luz. “Grace!” gritei, esperando que ninguém achasse que eu estava falando com o teto. A primeira vez que um serafim tinha tentando me contatar, eu desmaiara com a dor. Agora tudo vinha através de um anjo mensageiro, mas essa era a primeira vez que eu
tinha visto a Grace.

A anjo pousou em cima da porta do meu armário. “Oi, Madison. Tenho uma mensagem para a Nakita.”

Brilhando mais fortemente, ela acrescentou, “O que o Barnabas faz aqui? Você é a timekeeper negra, e ele–“

“Não está com o Ron,” Barnabas disse, o rosto apertado enquanto cruzava seus braços sobre seu peito.

A luz clareou ainda mais até que eu tive que acreditar que ela estava visível para todos. “Você mudou de lado!” ela exclamou, e eu recuei com a dor na minha cabeça pela força da sua voz.

Barnabas correu uma mão sobre seus cachos enquanto Nakita abafava o riso.

“Não sei o que eu sou, mas não podia ficar onde estava. Não confio no Ron, mas ainda não acredito em destino.”

Nakita jogou seu cabelo para trás e colocou uma mão em seu quadril. “Você ousaria desacatar os serafins?” ela quase rugiu.

Ele retornou com, “Eu usaria meus olhos para ver e pensamentos para pensar,” e Grace zumbiu impacientemente. Ficando entre eles, eu disse, “Está bem. Ótimo! Não acredito em destino, tampouco, mas eu respeito Nakita.” E aquela grande gadanha que ela me mostrara que podia fazer na semana passada.

“Quando estou na escola, fico salva de qualquer coisa com que vocês se preocupem. Por que ambos não esperam do lado de fora?”

Imediatamente eles voltaram atrás. “Preciso estar aqui,” Nakita disse, os olhos abaixados. “Por mim mesma. Eu preciso entender. Os serafins não têm certeza como o fato de você estar morta influenciará a sua habilidade de ler o tempo. E eu não me sinto bem entre os meus. Eles acham que sou imperfeita,” ela terminou, e eu recuei pela vergonha que pude escutar em sua voz.

Barnabas olhou ao redor, pelas pessoas animadas, seu olhar vago. “Eu preciso de algo para fazer. Eu estou... sozinho também. E você é familiar."

Que legal. Sou familiar. Como um par velho de meias.

“Vocês dois estão protegendo a Madison?” Grace perguntou. “Alguém precisa fazê-lo. Ela não me deixava.”

Eu me sinto mal por isso, mas então ela pousou no meu ombro e sussurrou, “Obrigada, Madison, por me nomear. Achei que eles fossem tirar meu nome de mim, mas eles finalmente concordaram que se eu fosse designada como sua mensageira permanentemente, eu poderia ficar com ele.”

“Grace, isso é ótimo!” eu disse, verdadeiramente alegre. Era bom ver a Grace, mas da última vez que uma mensagem viera para a Nakita, a ceifadora negra tinha pedido licença, voltando com um sorriso de satisfação e um novo entalhe em sua gadanha.

A minúscula anjo subiu muito para o alto, e eu senti uma presença familiar atrás de mim. Nakita desviou o olhar com seus lábios pressionados, mas Barnabas sorriu, e não fiquei surpresa quando Josh deslizou da multidão para o nosso pequeno redemoinho no tráfego do corredor.

“Oi, Madison,” Josh disse enquanto batia seus nós dos dedos com Barnabas.

“Oi, Josh.” Eu estava nervosa, e isso me fez ficar ainda mais envergonhada, especialmente quando Grace zuniu feliz. Ele estava bonito, completamente recuperado de seu leve toque com a morte.

Ele não gostava da Nakita, contudo, e o sentimento era mútuo, pelo que eu podia dizer pela expressão sombrio dela direcionada ao chão.

“Madison é responsabilidade minha,” Nakita resmungou, continuando nossa conversa anterior.

“Você falhou. Duas vezes. Acho que você é um espião,” ela acusou Barnabas, ignorando Josh.

O ceifador branco que mudara de lado ficou ofendido. “Não sou!” ele disse audivelmente. “Olhe para o meu amuleto. Ele parece vermelho para você?”

Era verdade. Para a desgraça de Barnabas, o brilho em seu amuleto tinha mudado de espectro e agora era o dourado brilhante e neutro de um ceifador inexperiente. Ele não estava mais amarrado a Ron. Ele estava amarrado a mim e estava ficando... mais sombrio.

“Se não é um espião,” Nakita disse, seu dedo apontando, “então por que está aqui, Barney?”

“Porque não confio em você. E não me chame disso.”

Ela sibilou algo para ele, e quando a Grace foi arbitrar, eu me virei, suspirando.

“São como criancinhas,” eu reclamei, então sorri. “Qual o horário do seu almoço?”

“O segundo,” Josh disse enquanto recuperava seu horário.

“Eu também!” eu disse, contente. “Te encontro na frente da fonte d’água. A não ser...”

Ele sorriu, prendendo minha respiração. “A não ser nada. Estarei lá.”

Ao nosso lado, Nakita gritou, “Arrancarei sua língua e a darei para os meus Cérberos!”

Josh recuou, e um espaço mais amplo se abriu entre nós e todo mundo. “Você não pode se livrar deles?”

Radiante, balancei minha cabeça. “Não. Eu tentei.”

Ele deslocou seu livro para sua outra mão. “Acho que ouvi a Grace. Ela está aqui? Meio que sinto a falta dela.”

Eu me inclinei contra meu armário e balancei a cabeça na direção de Nakita e Barnabas, que ainda discutiam. As pessoas estavam lhes lançando olhares estranhos, e eu me perguntei se tinha começado uma panelinha nova. Uma estranha e barulhenta.

“Ela trouxe uma mensagem para a toda poderosa Kita.”

Ele riu. Era um bom som, e eu me perguntei se ele me levaria para casa depois da escola para que eu não tivesse que pegar ônibus. Isso realmente derreteria os serventes da Amy.

Josh espiou Barnabas e Nakita, que finalmente tinham parado de discutir para que pudessem escutar a Grace. “Vai fazer alguma coisa depois da escola?”

Não mais, pensei, mas então dei de ombros. “Eu não sei. Nakita pode estar bolando algo.”

“Fecha essa matraca,” Nakita disse para Barnabas, então balançou seu cabelo para se recompor. Me encarando, ela disse, “Aconteceu algo. Barney vai te vigiar por algumas... horas.”

Era o que eu pensava. Ela tinha uma gadanhada. “Nakita, não gosto disso,” eu disse enquanto Barnabas enfurecia-se. “Gadanhar pessoas que fazem escolhas ruins é errado. É fácil, mas errado.”

Suas sobrancelhas se arquearam. “Não é por isso que são escolhidas, e você se sentirá de forma diferente depois de ver o bastante de atrocidades humanas. Quando aprender como usar seu amuleto, você entenderá. Até lá, o que você quer não fará diferença alguma.”

Isso era tão condescendente quando era possível, mas ela era mais velha que todos aqui, exceto Barnabas. “E quanto aos seus estudos domésticos?” eu disse, sabendo o quanto ela queria se encaixar, já que seus semelhantes não mais a entendiam.

Com a mandíbula apertada, Nakita deu seu horário escolar para Josh. “Ele pode fazer por mim.”

As sobrancelhas de Josh subiram. “Hm, Nakita. A escola não funciona desse jeito.”

Barnabas agarrou o papel de Josh e empurrou-o de volta para ela. “Se você for, eu vou. Não vou te deixar pegar outra alma, então você pode muito bem ficar.”

“Gostaria de vê-lo tentar me impedir!” ela disse, começando tudo de novo.

Grace caiu entre nós, um leve brilho no ar. “Todo esse amor nesse prédio! Me deixa tonta. Vou cair fora daqui. Nakita, você vai pegar a gadanha ou não?”

“Sim,” ela disse, e Grace evaporou da existência com uma explosão de luz caindo interiormente e o cheiro de rosas.

Nakita me puxou para ela, nossas cabeças quase tocando. “Você deveria vir comigo,” ela disse, os olhos espiando lateralmente as pessoas ao redor. “Talvez então você aprenderá como esperar e ver as atrocidades que as escolhas humanas trarão. Eu sei que então você concordará.”

“É o primeiro dia de aula!” eu disse enquanto Josh começou a falar com Barnabas para entender o que estava rolando. “Não posso faltar o primeiro dia de aula.”

Seus olhos azuis se estreitaram e suas bochechas coraram. “Você é a vontade dos serafins, Madison.”

“Bom, a vontade dos serafins não quer ficar de castigo,” eu protestei, achando que nunca teria acreditado ser possível que essas palavras pudessem ir juntas e fazerem sentido. “Não concordo com destino,” acrescentei.

A aula estava prestes a começar, e o corredor estava se esvaziando.

“É errado, Nakita,” Barnabas disse, alto o bastante que me preocupei em alguém talvez nos ouvir. “Aquela pessoa não fez nada.”

“Ele fará,” foi sua respostas confiante. “Só por que você não consegue voar alto o bastante para ver pelos cantos, não quer dizer que os serafins não possam.”

Isso era uma beleza. Primeiro dia de aula, e Nakita queria me levar para uma festa da gadanhada. O sinal de aviso tocou, e eu pulei. Suspirando, peguei meus livros e comecei a ir corredor abaixo. Josh deslocou-se para frente, andando ao meu lado enquanto Barnabas e Nakita ficaram para trás.

“Então,” Josh disse, seus olhos arregalados, “vamos para a aula, ou para um safári?”

Eu encarei, não acreditando nisso. “Você quer ir também?”

Nakita inclinou-se para frente entre nós, empurrando-o para o lado. “Você gostará de matar esse, Madison. Grace diz que o cria do demo vai criar um vírus de computador que destrói os sistemas operacionais de um hospital. Centenas das suas pessoas preciosas, Barnabas, terão mortes prematuras por causa da escolha desse 
humano feita em busca por reconhecimento e orgulho. Se não deslocarmos essa alma para um plano superior antes que ele fique sujo, ele eventualmente se tornará um cyberterrorista."

Aah, um a zero.

Barnabas estava de cara amarga enquanto vinha para meu outro lado. “Mas ele ainda não fez isso. Há sempre uma escolha, e ele talvez faça a certa.”

O corredor estava vazio. À direita estava o corredor que me levaria para minha aula de física, à minha esquerda o claro retângulo da porta da frente da escola.

“Nakita,” eu disse, meus passos diminuindo na interseção. “Eu estava errada em salvar a Susa, a garota no barco?”

“Sim,” ela disse imediatamente.

“Não,” Barnabas respondeu.

Nakita segurou seu livro de economia doméstica em seu peito, a planilha eletrônica e tigela de ovos na capa uma estranha mistura com sua expressão severa, quase sedenta de sangue.

“Ela ia criar artigos da verdade sem compaixão. Ela ia devotar sua vida a destruir a fé e crença que as pessoas tem uma nas outras. Não havia dádiva em sua vida, apenas destruição.”

Dois a zero. “Esse ainda é seu destino?” eu perguntei, escutando o “ia”.

Seu lindo rosto mudou, se tornando confuso. “Não,” ela disse, e nossos passos diminuíram até parar. “Os serafins cantam que seu futuro está lamacento, e eles não sabem por que.”

Um sorriso vagaroso curvou meus lábios para cima. “Eu sei.” Contente, eu comecei a ir para as portas dianteiras. Eu sabia agora o que ia fazer – como eu ia reconciliar trabalhar como chefe de um sistema que eu não concordava até encontrar meu corpo e voltar ao normal.

“Bem como entender o medo te mudou, Susan viu a morte, e como resultado, ela aprendeu como a vida é preciosa. É difícil fazer uma escolha quando só 
consegue ver de uma maneira.”

Da minha esquerda, Barnabas franziu a testa. “Está falando de mim,” ele disse com tristeza.

“Não.” eu olhei para os escritórios da frente, esperando que ninguém estivesse observando. “Eu acho que não. Talvez?” eu dei de ombros. “Eu vou com você, Nakita, mas antes que retire sua espada e fique toda assustadora, quero falar com ele.”

As sobrancelhas da ceifadora negra foram para o alto. “Por quê?” ela disse, espelhando a expressão de confusão de Barnabas.

“Para ver se consigo mudar seu destino,” eu digo. Dãh.

Está bem, então eu estava morta, meu corpo estava em algum lugar entre o agora e o próximo, e eu tinha dois ceifadores discutindo e me protegendo do próprio timekeeper que eu já confiara uma vez. As coisas não eram tão ruins. Meu pai não fazia ideia de que eu estava morta, Josh estava vivo, e até que conseguisse meu 
corpo de volta e saísse dessa montanha russa, eu não só podia matar aula sem punimento, como era minha responsabilidade moral fazer isso.

Nós tínhamos alcançado a porta, e eu a abri. A luz solar entornou, me aquecendo enquanto Josh pegava a porta e a segurava. “Você vai matar aula?” ele perguntou, e eu fiz careta.

“Aham. Nakita e Barnabas podem me proteger. Nos proteger. Para uma garota boazinha, eu certamente faço algumas coisas ruins.”

Eu hesitei no solado da porta, espremendo os olhos no sol. “Você acha que faz diferença?”

Josh assentiu, e seu sorriso fez com que um tremor começasse no âmago do meu ser. “É. Eu acho.”

“Eu também,” eu disse, e juntos, caminhamos para o sol para salvar a alma de algum cara bom.


Fim
Continuação: Early to Death Early to Rise.


Tradução: sophia bittencourt


xoxo,
sophia bittencourt.

Treze


“Perceptiva, ” Kairos disse, sua voz tão dura quanto sua expressão.

Meus tênis amarelos rangeram enquanto eu me virava para correr, mas não havia lugar algum para ir. Em um borrão de movimento, Nakita estava ao meu lado, e recuei para ficar fora de seu alcance. Fazendo careta, ela me empurrou, e eu caí. Meu cotovelo bateu no granito preto, abalando-me até a minha espinha. Eu tentei ficar de pé, caindo novamente quando a Nakita forçou um pé sob mim e me rolou de costas.

Eu congelei enquanto ambos ficavam sobre mim, o odor de terra subindo de uma mancha na perna de Nakita.

A pedra preta nas minhas costas estava gelada com o frio da noite, e o céu possuía uma cor delicada e transparente.

“Como o destino dos anjos pode cair rapidamente,” Kairos disse, suas palavras subindo e caindo como música. Uma vez eu pensara que podia ouvir o oceano em sua voz – que ele fora lindo, incorporando elegância, refinamento, sofisticação – mas tudo que sobrara fora um fedor de água salgada morta, fedendo e pútrida.

Meus olhos pestanejaram para a gadanha em sua mão, e eu a reconheci como a que me matara no fundo da barragem.

“De novo não!” eu balbuciei, atirando-me para escapar. Minhas costas encontraram um pilar, e eu deslizei costas acima para ficar com meus dedos apertando os sulcos levantados. Arfando em reflexo, eu abaixei enquanto Nakita balançava sua lâmina para mim.

Um estralar afiado ecoou pelo ar, e eu olhei para cima para ver que Kairos sustentava sua própria lâmina, retardando um golpe mortal com uma facilidade assustadora.

“Paciência, Nakita,” o timekeeper negro disse. “Você pode matá-la, mas não até que eu recupere o corpo. Os três tem que se juntar de uma só vez; de outra maneira, nada muda. Eu simplesmente preciso de um momento para achá-lo.”

Eu escapei, tentando colocar um espaço entre nós. O olhar de Nakita voltou-se para mim. “Você me disse que estava próximo.”

“Está. Você me dá um momento para me concentrar? Uma vez que eu o encontro, estará aqui, e você poderá matá-la.”

Ele soava irritado, e eu fiquei de pé, aterrorizada, sem saber o que fazer. Claro, eu tinha fugido, mas não ia a lugar algum. Eu estava numa ilha. Eu conhecia a sensação da terra quando água batia em todos os lados.

“Kairos, devolva o meu corpo e me deixe ir, e eu lhe darei seu estúpido amuleto,” eu disse enquanto escaneava o horizonte aberto procurando por uma saída, mas eu tremia, e amaldiçoei minha voz quando ela tremulou. “Não ligo se sou a timekeeper aspirante. Tudo que eu quero é ser deixada em paz, está bem?”

Kairos riu, jogando sua cabeça para trás e deixando o longo som rolar, e eu percebi que Nakita tinha pestanejado às minhas palavras. Ela não soubera. Kairos não tinha lhe contado. Eu fora um erro para ela, nada mais.

“Quem te disse?” Kairos  perguntou, esfregando um olho. “O Ron que não foi. Ou você descobriu? Incrível. Eu tenho plenas intenções de te devolver seu corpo, porque até que morra e parta, você me devolvendo meu amuleto não me permitirá usá-lo.”

“Consigo me dissociar dele,” eu disse. “Aprendi como fazê-lo ontem. Será totalmente seu. Ron pode me fazer um novo. Simplesmente devolva meu corpo e me deixe ir, está bem?”

O ar mudou, e eu girei. “Ron!” gritei quando o vi. Barnabas. Ele está bem? Então meus olhos se estreitaram.

Por que eu estava feliz em ver o Ron?

Nakita lançou-se para frente para agarrar meu braço, e lutei com ela – até encontrar sua lâmina na minha garganta, a joia do tamanho de um dedão e de aparência mortal brilhando sem vida a centímetros do meu olho. Droga!

Como ela se moveu tão rapidamente? A declaração de Kairos que meu corpo estava por perto congelou meus músculos. Se ele o apresentasse, ela podia me matar de vez.

“Tarde demais, Ron,” Kairos disse, rindo suavemente para minha surpresa. “Que engraçado,” ele disse levemente para Nakita. “Um mestre do tempo se atrasando.”

Meus pés escorregaram na pedra lisa. Se não fosse pela Nakita me pegando, eu teria me cortado em sua lâmina. Eu estava tão assustada.

Ron curvou sua cabeça. O novo sol brilhava nele, iluminando a determinação em seus olhos quando sentou seu olhar de volta para mim. Determinação e... culpa? Estava na porcaria da hora.

“Solte-a, Nakita,” ele disse persuasivamente. “Kairos não pode te ajudar, mesmo que ele consiga seu amuleto de volta. Madison é uma Keeper aspirante. Já está decidido o lugar de quem ela tomará."

Sua respiração saiu suavemente, e enquanto seu aperto em mim afrouxava-se, eu consegui sentir sua confusão.

Kairos marchou para frente, dizendo, “Eu não menti. Não saberei com certeza que não consigo fazer isso até que tente.”

“Ela é uma timekeeper aspirante?” Nakita questionou, e eu me mexi quando sua espada se moveu suavemente, mudando do meu pescoço para apontar para ele.

Vendo isso, Kairos hesitou com uma rapidez cômica. Ela ainda estava me segurando, contudo, seu braço ao redor do meu pescoço. Choque apareceu em
seus traços refinados, o que ele rapidamente escondeu.

“Nakita,” ele persuadiu, “eu posso ser capaz de ajudá-la. Guarde sua lâmina.”

“Você me disse que podia arrancar o medo de mim,” Nakita disse, segurando-me mais apertadamente. “Você me disse que os serafins cantaram que ela estava destinada a morrer, e para que a levasse. Ela é uma timekeeper aspirante? Você me mandou gadanhar uma timekeeper porque teme a morte? Chronos acredita nela!”

A voz de Nakita trovejou na minha orelha, a raiva justa de uma anjo injustiçada. A bainha da veste de Kairos tremeu enquanto ele deu três passos para trás, sua mandíbula apertada. O instante pareceu hesitar, e me perguntei se estava sendo presa para ser morta... ou protegida.

“Então eu menti,” Kairos admitiu, retornando para sua mesa e virando de lado para cutucar o jarrinho na bandeja. Sua sombra do sol nascendo esticava-se longamente para tocar meus pés, e eu estremeci enquanto a luz brilhava em seu amuleto menos poderoso. “Eu comandei tanto você quanto o tempo por mais de mil anos, Nakita. Eu não vou sair silenciosamente porque os serafins decidiram que era hora de eu me aposentar, ensinar outro, e desaparecer para a morte. E não por uma garota que não é velha o bastante para contar como mulher.”

“Ela é tão velha quanto você era quando assassinou seu predecessor,” Ron disse amargamente. “É engraçado como essas coisas funcionam.”

O lábio superior de Kairos tremeu, mas seus olhos estavam fixos nos de Nakita. “Ela não pode ser uma timekeeper,” ele disse firmemente. “Ela está morta. Eu mesmo a matei.”

Ron deu um passo mais para perto, hesitando quando a espada de Nakita mudou, por um instante, para ele, e então de volta para Kairos. “Ela roubou o seu amuleto,” ele disse. “Não acho que importe qual o estado de vivacidade dela seja se ela conseguiu isso. Madison já reivindicou seu direito de nascença. Ela arrancou o controle de uma anjo da guarda de mim ao simplesmente nomeá-la, e ela agora está protegida pela Nakita. É tarde demais. Você perdeu, Kairos. Acabou. Deixe-a ir. Aceite isso.”

E, ainda assim, eu ainda estava no agarro de uma ceifadora negra.

“Kairos?” Nakita perguntou, sua voz aguda enquanto ela lutava para juntar todos os pedaços. Eu estava junto dela, e uma onda de tontura fez meus joelhos ficarem fracos. Assustada, eu endureci enquanto o vento suave deslocava meu cabelo para meus olhos, momentaneamente bloqueando Kairos da minha vista com a espada parada de Nakita entre nós.

“Não sou a timekeeper negra aspirante,” eu disse enquanto Nakita me puxava para trás. “Sou a branca aspirante. É por isso que quero trocar com Kairos seu amuleto pelo meu corpo. Ron, ele tem o meu corpo. Eu posso voltar a ser do jeito que era! Diga a ele que posso acabar com a minha influência no amuleto dele.”

Meu olhar desviou-se para Kairos, vendo sua descrença. “Eu posso! Já fiz antes! Ron, diga a ele! Diga a ele que sou a timekeeper branca aspirante!”

Mas Ron olhava para o chão, me assustando.

Com um falsa tranquilidade, Kairos despejou um líquido âmbar numa taça de cristal, bebericando-o ligeiramente antes de assentá-lo. “Ainda não entendeu tudo?” ele disse. “Você estava destinada a ser minha estudante, Madison; por que mais eu gadanharia você? Ron não pode te receber mesmo que quisesse. Ele está ensinando o timekeeper branco aspirante há mais de um ano.”

Mas que... Meu olhar frenético foi até Ron, lendo em sua expressão abatida que Kairos dizia a verdade. “Seu filho de um cachorrinho morto,” eu sussurrei. "Você sabia? Você está ensinando outra pessoa? É por isso que você me passou pro Barnabas?”

Ron estremeceu. Ele deu um passo para frente, e Nakita me puxou dois passos pra trás. Enojada, eu saí do aperto de Nakita e fiquei ereta no dia novo com meus próprios poderes. A ceifadora negra encarou o sol e ajoelhou-se com sua espada sobre um joelho e sua cabeça encurvada - ela parecia estar rezando, o cabelo escondendo seu rosto enquanto um lamento suave e lúgubre saía dela.

“Eu fiz isso pela humanidade, Madison,” Ron disse persuasivamente. “Você poderia acabar com as mortes injustas se eu pudesse fazer você se aliar comigo. Pense nisso! Um timekeeper negro que acreditasse em escolha? Não haveria mais gadanhadas, nada mais de vidas encurtadas. Kairos seria despojado do poder, deixando apenas paz para trás quando você tomasse o lugar dele.”

“Por que ela se aliaria a você?” Kairos exclamou. “Você a escondeu dos serafins por atrás de alegações e investigações, negou sua existência daqueles que teriam corrigido as coisas. Foram as suas próprias ações que forçaram que a verdade da existência dela saísse de onde ambos a tínhamos escondido para que pudéssemos brigar por ela como cães brigando por restos. Você sussurrou falsas verdades no ouvido dela até que as escolhas dela fossem as que você queria. Você passou o ensino dela para um ceifador, dando-lhe uma tarefa que você sabia que ele não conseguiria lidar enquanto você ensinava aquele destinado a te substituir, com a intenção de deixar Madison destituída de habilidades no caso da verdade vir a tona e ela tomar meu lugar, seguramente ignorante e em desvantagem.” Kairos virou-se para mim, nojo em seus olhos. “E você o deixou.”

Minha cabeça se moveu para frente e para trás em negação. Eu não soubera. Como eu poderia?

Eu pulei quando Nakita ficou repentinamente ao meu lado, o gentil toque de suas asas roçando em mim. Sua espada tinha desaparecido, e eu encarei-a, vendo sua confusão, sabendo o que ela estava sentindo, já que eu mesma o estava: traição, desalento, medo.

“Pelo menos eu não tentei matá-la,” Ron resmungou.

“Não, você a manteve ignorante.”

“Fui eu quem a salvei!” Ron gritou de volta.

“Você não me salvou,” eu disse, os lábios mal se movendo. “Eu morri. Lembra-se?”

A brisa leve vinda da praia levantou meu cabelo para fazer com as pontas roxas fizessem cócegas na minha bochecha. Eu tentei entender. Não fazia sentido. Eu não podia ser uma timekeeper negra aspirante. Eu não acreditava em destino.

Ron foi para frente, e eu saí da minha confusão. “Pare!” eu gritei, agarrando meu amuleto com a outra mão esticada, e ele hesitou, frustrado.

“Os serafins decidiram que Madison deveria tomar seu lugar?” Nakita disse, sua voz rachada. “Você me mandou matar aquela que seria minha mestre? A próxima que defenderia a vontade dos serafins?”

Kairos franziu sua testa para ela. “Ela não seria sua nova mestre se você me deixasse destruir a alma dela. Sem ela, viverei para sempre, capaz de reivindicar um lugar numa corte mais alta.” Kairos ficou numa posição arrogante. “Serei imortal. Imortal, Nakita!” ele disse, sua expressão tornando-se fervorosa enquanto ele gesticulava, quase derrubando sua xícara. “Seria o bastante para mudar as marés do time à nosso favor para sempre. Imagine isso!”

“Você prometeu me ajudar,” Nakita sussurrou, sua voz mais suave que o vento.

Kairos espiou-a com irritação, mas seus olhos estreitaram-se quando ele percebeu a ameaça que ela era.

“Dê-me seu amuleto,” ele disse, esticando sua mão, e quando ela não deu, ele marchou para frente, raiva e dominância em seu movimento.

Eu reprimi uma arfada quando Nakita me empurrou para trás dela, e meus pés lutaram para me manter ereta.

Houve um barulho agudo que parecer fazer a nova luz solar estremecer, e quando eu olhei, o amuleto de Nakita estava na mão do Kairos e ele estava caminhando para a mesa próxima. Ele a tinha deixado inofensiva. Porcaria. E agora?

“Ainda sou seu mestre, sua anjo ignorante,” ele disse enquanto a fonte de poder de Nakita tinia sobre a mesa; então seu sorriso gelou meus ossos. “Agora. Madison. Sobre o seu corpo.”

Ah, Deus. Ele tinha o meu corpo. Ele podia destruir a minha alma. Ron ficou de pé sem se mover, não que eu esperasse algo dele.

Nakita caiu de joelhos perante Kairos, seu rosto pálido e uma faixa de umidade escorrendo de seu olho.

“Você disse que podia me fazer melhorar,” ela disse, luto claro em seu tom. “Eu não quero ter medo.”

Apesar do meu próprio medo, pena cresceu por mim. Ela estava caída, um anjo duplamente traído. A inocência de uma coisa selvagem com poder com o conhecimento da morte.

“Você prometeu, Kairos,” Nakita disse suavemente enquanto lágrimas derramavam dela e ela as enxugava, choque mostrando-se brevemente na presença delas. “Eu sofri, asas negras comendo minha memória. Memória é tudo que eu tenho. Eu acreditei em você. Você me mandou matá-la porque teme a morte?”

“Serei imortal!” Kairos berrou, sua raiva explodindo. “Como você pode presumir saber como é temer a morte? Você existe desde que os tempos começaram e continuará a existir até que acabem!”

Nakita ficou de pé, o ar tremeluzindo onde suas asas estariam. “Eu sei como é temer a morte, mas eu ainda vivo pela vontade dos serafins,” ela disse, sua voz tremendo. “Eu vivo por ela, e você morrerá por ela.”

Kairos sorriu forçadamente, tateando o amuleto dela na mesa. “Como, Nakita? Você pertence a mim.”

Mas então ela puxou uma pedra branca de seu cinto, amarrada por um arame preto e enlaçado por uma simples corda preta. Não parecia com o amuleto que eu devolvera a ela na floresta, e Kairos balançou sua cabeça como se não significasse nada – até que ela esfregou um dedão por ela e o que pareceu ser sal caiu para mostrar uma simples pedra preta brilhando infinitamente. Era a pedra que eu devolvera para ela na floresta. Como se eu tivesse sido sua guardiã. Eu o manchara com minhas lágrimas – presenteando-a com um símbolo do meu luto e como reparação por ter quebrado a pureza de sua existência.

A mão da Nakita fechou ao redor dela. “Eu te aceito,” ela disse para mim, apesar de sua careta assustadora ser para o Kairos.

“Não!” eu berrei, esticando-me quando o brilho de sua espada relampejou um negro puro. Nakita pulou para frente para mandar sua lâmina limpamente pelo Kairos.

Ron deu vários passos a frente, gritando em desalento, mas era tarde demais. Estava feito.

Kairos olhou para seu meio desmarcado, pestanejando quando levou seu olhar para cima, fixando primeiro na pedra violeta, então em seus olhos. “Você falhou conosco,” ele sussurrou, e então sofreu um colapso.

Nakita esticou-se e capturou-o gentilmente, quase amorosamente, enquanto colocava suavemente o timekeeper negro no chão polido. “Destino, Kairos,” Nakita sussurrou, chorando enquanto suas mãos deslizavam dele, e ela fechou os olhos dele para que não olhassem para o céu. “Os serafins decidiram que ela tomaria seu lugar. Seu tempo havia passado. Não há fracasso, Só há mudança.”

“Ai meu Deus!” eu gritei, horrorizada enquanto ficava parada lá. “Você o matou! Como pode...? Ele está morto!”

Ron fez um som de arrependimento, e eu virei para ele, aterrorizada. Se Kairos estava morto, então isso significava – “Ele não está morto,” eu balbuciei. “Diga-me que ele não está morto.”

“Ele se foi,” Ron disse, e eu saltei de volta quando Nakita ficou repentinamente perante mim, ajoelhando e oferecendo-me sua espada.

“Nakita, não!” eu berrei, em pânico.

“Minha senhora,” ela insistiu, dor em sua expressão frágil. “Eu sou imperfeita.”

“Para. Para!” eu disse, frenéticamente enquanto tentava fazê-la se levantar. Ela era tão linda. Ela era um anjo. Ela não deveria estar se ajoelhando perante mim. “N-não faça isso,” eu gaguejei. “Não sou a timekeeper negra.”

Eu olhei para Ron, de pé com suas mãos entrelaçadas perante ele.

“Você é a guardiã da justiça invisível,” Nakita disse, sorrindo pra mim, “sancionada pelos serafins. Capaz de rastrear o tempo e curvá-lo a sua vontade.”

“Não sou não!” eu insisti, espiando o corpo de Kairos. Nakita tinha acabado de matá-lo!

Ron suspirou pesadamente o bastante para que eu escutasse. “Sim, você é.”

Meu olhar foi para ele, e eu endureci. Uma figura estava atrás dele, difícil de se ver contra o sol nascente.

Ron viu onde estava a minha atenção e virou-se. Um som estrangulado escapou dele, e ele saiu entre nós. Era um serafim. Tinha que ser.

“Sangue foi derramado na casa de um timekeeper,” o serafim disse, sua voz tanto musical quanto dolorosa.

Ela carregava o poder de marés e as gentis carícias das ondas sobre a praia, e eu quase chorei ao ouvir isso.

Eu não conseguia aguentar isso. Era demais.

“Um sacrifício para que você ouça meu apelo.” Nakita ficou de pé perante o serafim com sua cabeça curvada, mas sua espada ainda estava no meu pé, e eu a peguei.

O serafim assentiu, e eu me perguntei se deveria me curvar ou fazer reverência ou me ajoelhar ou coisa assim. Ah, Deus. Era uma porcaria de um serafim, e aqui estava eu, de meias amarelas e brincos de caveira.

“Ela tomou seu lugar,” Nakita disse. “Eu a apresento a você e peço uma dádiva. Quero ser como eu era. Estou danificada.” Ela olhou para cima, lágrimas desfigurando seu lindo rosto. “Eu temo, serafim.”

“Isso não é um dano, Nakita,” o serafim disse gentilmente. “Isso é um presente. Regozije em seu medo.”

O serafim se virou para mim, e minha boca ficou seca. “Não sou a timekeeper negra,” eu balbuciei, empurrando a espada de Nakita de volta para ela até que ela a pegasse. “Não posso ser! Eu não sei nada!”

“Você saberá. Com o tempo,” o serafim disse, divertimento destorcido em sua voz. “Até lá, manterei tudo funcionando tranquilamente. Não demore muito. Minha voz já faz falta nos coro.”

“Mas não acredito em destino!” eu exclamei. Meu olhar foi para Ron; estava pensando que estava tendo dúvidas sobre a escolha, também.

“Acreditar no destino não é um requisito,” a voz musical disse, o serafim parecendo tomar o mundo inteiro, apesar de não ser muito maior que eu. “Kairos não acreditava. Aparentemente.”

Eu inspirei rapidamente quando ele olhou para longe de mim e se fixou em Ron.

“Você acredita, contudo. Apesar de tudo que diz ao contrário.”

Ron não se moveu até que o serafim desviasse o olhar; então ele afundou em alívio.

“Mas eu não quero o trabalho!” eu disse, frenética de que o que eu queria não parecia importar.

“Por favor, não posso simplesmente ter meu corpo e as coisas voltarem a ser como eram?”

O serafim pestanejou, parecendo chocado - se uma emoção dessas pudesse ser aplicada às divindades.

“Você não quer isso?” ele perguntou, e Ron deu um passo para frente como se para protestar.

“Não!” eu disse, sendo enchida por esperança. “Eu só quero ser eu.” Apressada, eu puxei a pedra ao redor do meu pescoço. Reunindo a minha coragem, me lancei para frente, empurrando o amuleto nas mãos do serafim. Meu coração martelava novamente, e, envergonhada por não poder controlá-lo, eu recuei, me perguntando se havia quebrado uma regra por chegar tão perto. Eu não conseguia olhar para seu rosto. Doía.

O serafim olhou para o amuleto em seus dedos luminescentes como se segurasse um grande tesouro.


A pedra estava queimando um preto infinito, os fios prateados agora um dourado quente. “Você já é você.”

“Por favor,” eu implorei, desviando um olhar para Kairos, morto nos azulejos e esquecido. “Pode simplesmente me transformar em quem eu era? Colocar-me de volta no meu corpo?”

A esperança me animou quando o serafim sorriu tão brilhantemente que eu espremi meus olhos.

“Se assim escolher,” ele disse, um humor inesperado em sua voz. “Onde está?”

Meu grito entusiasmado morreu em desalento. “Kairos o tinha,” eu disse, sentindo-me enjoada quando meu olhar pousou em Nakita, então em Ron, silencioso nos fundos. Ele não era de ajuda alguma, e me virei para o serafim.

“Deve estar na casa,” eu disse, virando-me e me sentindo nua sem o amuleto ao redor do meu pescoço.

“Já teria apodrecido por ora,” disse Ron.

Horror levantou-se por mim, e então medo. O Kairos havia deixado meu corpo para apodrecer? Isso tudo tinha sido em vão?

“Ele está certo,” o serafim disse. “Seu eu corpóreo não está aqui na terra.” eu tropecei até a mesa, sentando-me pesadamente, minhas pernas não mais capazes de me segurar de pé.

Meus cotovelos ficaram na mesa azulejada, e eu derrubei a xícara de Kairos. Arrastando-me, eu a endireitei, me perguntando o por que. Ninguém vai beber isso. É a bebida de um homem morto.

“Ele disse que estava próximo,” eu sussurrei, entorpecida. Onde estava o meu corpo se não estava na terra?

O sol fora encoberto, e eu olhei para cima para ver o serafim sentar perante mim, uma situação tanto chocante quanto entorpecedora. “Seu corpo certamente está em algum lugar entre o agora e o próximo.”

Meu coração pareceu cinza, e eu pestanejei, tentando ver os traços do anjo. Mas houvera esperança em suas palavras.

“Entre o agora e o próximo? O que isso quer dizer?” Estou sentada numa mesa com um anjo no outro lado do mundo. Isso é bizarro ou o quê?

“Significa que seu corpo está perdido, mas o que está perdido pode ser encontrado,” o serafim disse. “Kairos teria posto o seu corpo no único lugar onde permaneceria escondido, mas, ao mesmo tempo, que tivesse acesso imediato. Entre o agora e o próximo.”

Lambendo meus lábios, roubei uma espiadela para o corpo morto de Kairos. “Pode me levar lá?”

Novamente, o serafim sorriu, e eu tive que deixar meu olhar cair.

“Não há lá para onde ir. Simplesmente é. Com o tempo, você será capaz de ver entre o agora e o próximo.” Limpando sua garganta com um gesto bem humano, o serafim estendeu meu amuleto de volta para mim. “Você escolhe tomar isto ou escolherá perecer completamente?”

Como se eu realmente tivesse escolha.

O vento do oceano deslocou minha franja, e eu espiei Nakita, parecendo perdida e linda enquanto esfregava a lisura de suas lágrimas entre seus dedos, tentando entendê-las. “Posso só meio que aceitar?” eu perguntei.

“Só até achar meu corpo?”

O serafim riu. O lindo som balançou o ar, e a mesa entre nós rachou.

“E você não acredita em destino!” ele disse alegremente, de certo modo me lembrando de Grace.

“Estou falando sério,” eu disse asperamente, tentando cobrir meu choque pela mesa quebrada. “Posso fazer isso até encontrar meu corpo, então devolver meu amuleto?” Ficar viva novamente era tudo que eu queria.

Nakita tinha vindo para frente, propósito substituindo sua confusão. Vendo-a, o anjo mudou sua expressão para uma de cálculo. “Se for o que você escolher,” ele disse sagazmente.

“Escolha?” eu perguntei amargamente. “Achei que você era todo destino.”

“Sempre há uma escolha,” o serafim disse.

Eu espiei Kairos e reprimi um estremecer. “Kairos disse que há apenas destino.”

“E Chronos diz que há apenas livre arbítrio,” ele disse com uma cadência sorrateira em sua voz.

O serafim estava aprontando alguma. Falar com ele era muito estranho. Suas emoções eram tão fáceis de ler quanto as de uma criança, mas inacreditavelmente poderosas. Lambendo meus lábios, eu me virei para que não pudesse ver Kairos.

“Qual está certo? Escolha ou destino?”

“Ambos estão,” ele disse. Com uma abafação de tecido deslizando que soava como a luz solar, o serafim se ajoelhou perante mim, o amuleto esticado em súplica.

Eu fiquei de pé, assustada. “Não faça isso,” eu sussurrei, querendo que todos simplesmente me ignorassem.

Vou vomitar. Vou vomitar bem aqui nesse lindo chão.

O serafim olhou para cima, e dor deslizou pela minha cabeça quando nossos olhos se encontraram, quase me cegando.

“Eu te honro. Você pode fazer algo que eu não posso,” ele disse suavemente. “Por tudo que sou e tudo que fui, você é humana. Você é amada por sua criatividade, tanto boa quanto ruim. Eu posso matar, mas você pode criar. Você pode até criar... um fim,” ele disse desejosamente. “Isso é algo que nunca serei capaz de fazer. Aceite isso. Crie.”

Encarei meu amuleto. Era lindo, a pedra negra brilhando com minúsculas luzes prateadas em seu centro como estrelas. Eu não conseguia olhar para o rosto do serafim, doía tanto, mas eu senti que ele estava sorrindo para mim.

“Madison, destino – não escolha – mandou Kairos te matar. O destino lhe deu coragem para reivindicar seu amuleto. O destino fez com que Chronos te escondesse de nós. Foi o destino que distorceu centena de momentos para te trazer aqui. E ainda assim, você tem que escolher aceitar seu lugar ou retornar como era."

Ainda assim eu hesitei em voltar. “Qual você escolheria?” eu perguntei. “Se pudesse.”

O serafim riu. “Nenhum, eu sou eu. Escolha? Destino? Eles são os mesmos. Não consigo ver a diferença. É por isso que só um humano pode retorcer o tempo a sua vontade. Quando voa alto o bastante, ver em torno dos cantos do tempo não é um problema, mas dificulta a separação entre o futuro e o passado.”

Era uma escolha que não era. Destino que era imposto pelo livre arbítrio. Eu não queria morrer, então havia apenas uma opção, e como se em um sonho, eu estiquei-me para tocar meu amuleto, minha vida.

A pele do serafim estava fria, e quando nossos dedos se tocaram, eu senti a vastidão de espaço espalhada perante mim em meus pensamentos. A pedra estava quente, e meus dedos fechados ao redor dela, reivindicando-a novamente.

Em um movimento gracioso, o serafim ficou de pé. “Está feito. Ela tomou seu lugar.”

Rápido assim, estava feito. Nada de trombetas, nada de trompetes. O amuleto descansava na minha mão, sentindo como sempre. Chocada, eu olhei por cima dele. Era isso? Eu sou a timekeeper negra?

Ron suspirou. Nakita estava ao meu cotovelo, seu medo de que eu a deixasse de lado claro em seus olhos arregalados.

“O que você deseja que eu faça?” ela sussurrou, implorando-me para lhe dar uma tarefa.

Eu olhei para o serafim, confusa, e ele disse, “Você tem um desejo. Ela vai assegurá-lo.”

“Salve o Josh,” eu disse, extremamente surpresa por ser tão fácil. Depois de tudo que eu fizera, eu só tinha que pedir? “Ajude o Barnabas.”

As sobrancelhas de Nakita levantaram-se e seus lábios se separaram. “Eu nunca fiz isso,” ela disse, e Ron fez um som de engasgo.

“Por favor,” eu acrescentei, curvando meus dedos ao redor dos dela enquanto ela segurava sua espada.

Nakita assentiu. Suas asas borraram em existência. A brancura delas tremeluziu enquanto ela as enrolava ao redor de si mesma, e com um suave suspiro de ar, ela desapareceu.

“É um bom começo,” o serafim disse, voltando minha atenção para ele. “Você verá, Madison. Seu amigo Josh não acabou de fazer para os outros, tampouco.” Sorrindo, ele se inclinou para perto. Eu não conseguia me mover enquanto o cheio de água limpa fluía para mim, esfriando minha ansiedade e enchendo-me com paz. “Você deveria ir antes que seu pai te chame,” ele disse, e quando beijou a minha testa, eu desmaiei.

domingo, 4 de março de 2012

Doze

Eu flexionei meus músculos e fechei meus olhos com força quando os picos verdes da floresta se aproximaram. Eu não queria observar enquanto Barnabas fechava suas asas entre nós e mergulhava em uma pequena abertura no dossel. Meu estômago mergulhou e caiu. Houve uma breve precipitação de vento nas folhas, e o ar resfriou. Eu abri meus olhos enquanto descia para desviar de uma árvore e pousou forte e repentinamente em um tronco coberto de musgo. Ele começou a desmoronar, e eu pulei para fora enquanto ele se desintegrava com um silêncio suave.

Meu cabelo embaraçado cobriu meu rosto quando Barnabas deu um empurrão para trás uma vez com suas asas para parar seu impulso. Na hora em que me virei, ele estava parado atrás do tronco, suas asas tinham desaparecido e seu casaco estava cobrindo seus ombros estreitos. Preocupação apertou seus traços, claros até mesmo na obscuridade, e eu olhei para o dossel. As árvores eram grandes e os arbustos quase inexistentes.

Greda macia amorteceu meus pés, e eu apertei meus braços ao meu redor, sentindo a umidade. Colinas pontilhavam o espaço sem padrão algum que eu pudesse ver.

Elas pareciam com... sepulturas.

"Onde nós estamos?" eu disse enquanto dava um passo desajeitado sobre o tronco para ficar mais perto de Barnabas.

"Um pedaço do chão," ele disse suavemente. "A terra se balançaria para sentir o toque de um serafim, mas há alguns lugares onde o chão é forte o bastante, e no passado, imortais os usaram para conduzir negócios na terra. Os círculos além do mar têm pedras enormes os marcando, mas aqui, onde as pessoas viviam harmoniosamente com a natureza até serem expulsos, são marcados com colinas que abrigam subornos para os anjos para deixar a eles e a seus filhos em paz." Ele se virou para mim, e eu tremi com seu olhar repentino e alienígena. "É um lugar neutro. Se sangue é derramado aqui, um serafim virá.

Nakita não vai querer isso."

Eu escaneei a floresta descoberta, sentindo minha pele pinicando. "Parece estranha."

"Parece, não parece?"

Não havia nada a se ouvir exceto o vento nas folhas mais altas. "Como digo a Nakita que quero conversar?"

Barnabas silenciosamente se afastou de mim, movendo-se uns bons seis metros de distância para que a assinatura de seu amuleto não misturasse com a minha. Com os olhos nas árvores escurecendo, ele disse, "Imagino que ela está te procurando. É melhor ter certeza disso."

"Eu tenho," eu disse confiantemente, mas por dentro eu estava preocupada. Eu estava exposta, minha alma cantando para aqueles que podiam ouvi-la, tocando como um sino, fazendo uma mancha de luz que Nakita podia seguir. Meu maxilar cerrou-se quando asas negras voaram silenciosamente pelo espaço entre o chão e as árvores, mas então decidi que era na verdade um corvo. Olhei para cima, minha atenção atraída por algo invisível.

Barnabas deslocou seus pés, e um galho quebrou. "Também senti," ele sussurrou.

Engoli em seco. "O que é?"

Seus olhos se moveram lentamente para frente e para trás. "Não sei. Parece um ceifador, mas com medo. Como um humano."

O olhar de Barnabas lançou-se para trás de mim. "Madison! Abaixa," ele gritou, e eu caí para frente desleixadamente, ficando com meu rosto cheio de greda terrosa. O peso de uma pedra rolou pelas minhas costas, e então se foi.

Olhei para cima, cuspindo meu cabelo e sujeira da minha boca.

Com asas tão brancas que brilhavam no anoitecer, Nakita veio à terra, girando para que seus pés mal tocassem o chão antes que suas asas desaparecessem como uma memória.

"Você está bem!" eu gritei, pensando que fora uma das coisas mais estúpidas que eu já dissera.

"Os serafins mentem para mim também," a ceifadora rosnou, medo e raiva retorcendo seus traços que já tinham sido lindos. Eu não fazia ideia sobre o que ela estava falando, e eu a encarei inexpressivamente.

"Nakita, espere!" Barnabas gritou enquanto disparava para ficar entre nós. O ceifador branco lançou-se para trás quando um brilho de aço cortou. Os braços de

Nakita estavam estendidos e suas costas curvadas enquanto ela atacava novamente.

Eu arfei enquanto esticava minhas mãos para um aviso inútil, mas a própria lâmina de Barnabas encontrou a espada dela, puxada do para sempre e do nada, e eu estremeci enquanto o som parecia ecoar e fazia as árvores tremerem. Kairos deve ter lhe dado um novo amuleto.

Ela não precisava do que eu queria devolver para ela.

Sua espada tinha uma pedra negra agora, e a joia na lâmina de Barnabas tinha se deslocado para mais baixo no espectro, brilhando um amarelo glorioso. A de Nakita parecia morta, um preto chapado.

"Madison quer apostar," Barnabas disse enquanto segurava a arma de Nakita imóvel contra a sua própria.

"Embainhe sua lâmina neste local sagrado."

Nakita sorriu, a determinação em seu rosto assustadora.

Ela não parecia nada consigo mesma, vestida em um traje branco que era o gêmeo do manto de Ron. "Eu preciso dela," ela disse, sua voz musical enquanto subia e caía. "Você a trouxe. Ela é minha."

Barnabas deu um passo para trás, e o zumbido em meus ouvidos cessou quando as lâminas deles não se tocavam mais. "Ela trouxe a si mesma. Ela quer se desculpar. Não escutar te desonraria."

Com um floreio, Nakita de um passo para trás, selvagem e extravagante enquanto gesticulava para que eu falasse. Eu não achava que ela ligava para o que eu poderia dizer, mas era minha única chance.

Assustada, eu a encarei com Barnabas no meu cotovelo. "Nakita, sinto muito,” eu disse, minhas palavras desaparecendo na obscuridade do anoitecer. "Eu não sabia que as asas negras ficariam em você. Eu só estava tentando impedi-la de matar o Josh. Eu trouxe o seu amuleto de volta," eu disse, minha mão tremendo enquanto eu a esticava. "Não é um suborno, mas por favor deixe Josh viver."

Seu rosto se retorceu em uma careta, mas ela pegou seu amuleto quando eu o joguei para ela, enfiando-o em seu cinto. "Kairos me dá meu amuleto, não você," ela disse. "E preciso menos da sua pena do que eu preciso das suas desculpas. Os serafins dizem que estou perfeitamente bem. Eu sou perfeita!" ela gritou para o céu, então se virou para mim, ofegando e com olhos selvagens. "Mas eles mentem."

Barnabas me puxou para trás. "Precisamos ir embora. Ela está arruinada. Isto não vai dar em nada."

"Estou arruinada, também," eu disse, pensando na minha vida interrompida, e sai de perto de seu aperto. "Nakita, você levaria uma mensagem para Kairos por mim? Ele tem o meu corpo. Eu o quero de volta. Eu lhe darei seu amuleto por ele se ele prometer me deixar em paz. Eu só quero ser do jeito que eu era. Por favor. Estou cansada de ter medo."

Na palavra medo, ela estremeceu, e um brilho de ar atrás dela mudou para mostrar suas asas arqueando sobre ela, maiores do que parecia ser possível, as pontas das longas penas tremendo. Eles podem ter tirado as asas negras dela, mas deixaram dentro dela algo que um ceifador nunca fora criado para entender. Medo.

E tinha vindo de mim. Minhas memórias.

"Não sou o seu anjo mensageiro," ela disse amargamente. "Mas vamos até o Kairos. Você é uma ladra. Uma mentirosa. Com o seu corpo e sua alma e minha gadanha, ele pode me transformar no que eu era. Como tudo era. Ele prometeu!"

Kairos ainda tem o meu corpo. Obrigada, Deus.

"Você não vai levá-la," Barnabas disse, alheio ao fato da Nakita ser agora cem vezes mais perigosa. Ela tinha o poder dos anjos clivado com a vontade da humanidade. Medo e um conhecimento da morte tinham lhe transformado dessa maneira. Eu a tinha transformado dessa maneira.

"Ela é minha enquanto estiver aqui." Caindo em uma posição encurvada, Nakita arrastou sua nova espada para frente, a ponta cortando o chão para fazer o musgo se separar como uma ferida.

Eu balancei minha cabeça, recuando. "Nakita, me escute. Eu só quero meu corpo de volta, vivo e ileso. Ele não tem que destruir a minha alma pelo amuleto. Eu posso me dissociar dele."

Ela se endireitou enquanto uma risada, cruel e horrível de ouvir, explodiu dela.

Barnabas deslocou-se para mais perto de mim em apoio. "Kairos precisa de você morta para me deixar completa novamente," ela disse.

"Barnabas, saia do meu caminho, ou você vai ser o primeiro."

"Você não ousaria." Barnabas me empurrou para trás de si enquanto Nakita puxava sua espada da terra e casualmente limpou a sujeira dela em sua perna. "Um serafim virá. Você não vai arriscar."

"Por que não?!" Nakita berrou, então recuou um passo, de olhos arregalados. "Eu não tenho nada, Barnabas!" ela gritou. "Você sabe o que é temer? Vou rir se um serafim me assassinar por violar um dos seus lugares na terra. Pelo menos acabaria e eu não teria que ter mais medo!"

Barnabas não entendeu, e sua testa se franziu. "Medo?"

Um barulho feio veio de Nakita, baixo, quase um rosnado. Ele filtrou o meu cérebro e me paralisou. E então ela se deslocou.

Eu sufoquei um grito enquanto ela se lançava até Barnabas, asas brancas se desenrolando atrás dela.

Barnabas caiu de joelhos, suas próprias asas cinzas espalhadas enquanto ele arremessava-se para trás, para o ar.

Eu recuei, lutando para me proteger. Um vento forte agitou as folhas do chão da floresta. Um retinir de aço feriu meus ouvidos. Eles estavam trancados, os braços esticados, Barnabas de pé, suas asas batendo para encontrar a força para empurrar Nakita de volta.

"Eu a terei!" Nakita gritou enquanto suas asas batiam selvagemente, e ela tentou pressionar Barnabas no chão somente com sua vontade. "Eu não serei desse jeito! Não posso!"

Barnabas deu um chute para empurrá-la para longe. Asas cinzas e brancas bateram nas árvores. Prata brilhou na obscuridade enquanto Barnabas mergulhava para frente, sua desvantagem clara.

Ele não queria derramar sangue. Nakita não ligava, e ela bateu selvagemente em Barnabas, o ceifador branco reagindo contra cada golpe mais lentamente do que ao último. A ceifadora negra estava lutando com um desespero selvagem que só humanos possuíam, e estava começando a fica óbvio para Barnabas.

Uma sensação pesada sobre o meu pescoço me chocou, e agarrei meu amuleto, sentindo como se a terra tivesse desaparecido sob os meus pés. Alguém ... alguém estava tentando usá-lo! E quando Nakita gritou, eu sabia que era ela tentando duplicar o que eu tinha feito para ficar invisível.

Ela estava longe demais para o meu amuleto deixá-la sólida, mas a de Barnabas não estava.

Com um grito selvagem, Nakita golpeou sua espada na lâmina de Barnabas, derrubando-a dele. O amuleto ao redor do seu pescoço resplandeceu e ficou imóvel. Ele estava indefeso. Com a boca aberta em um uivo, Nakita pulou diretamente para ele. Barnabas se preparando para um impacto que nunca chegou enquanto Nakita rompia sua ligação com seu amuleto e ficava invisível, mergulhando através dele como se ele fosse água.

"Barnabas, cuidado!" eu gritei, mas era tarde demais. Nakita apareceu atrás do ceifador branco, girando para colocar sua espada contra seu pescoço. Seus braços se prepararam para puxar.

"Nakita, não!" eu berrei, lutando para ficar de pé perante eles. A ceifadora negra vacilou, seus lábios puxados para trás em um sorriso selvagem e vitorioso. Eles estavam parados, dois anjos da morte presos juntos, uma selvagem e enlouquecida, o outro batido e chocado.

"O-onde você aprendeu isso?" Barnabas gaguejou, congelado na sensação da lâmina de outro ceifador contra sua garganta.

Os olhos de Nakita nunca deixaram os meus enquanto ela se inclinava para frente, sussurrando no ouvido de Barnabas, "É impressionante o que você pode fazer quando sabe que nada dura para sempre a menos que você faça durar."

Minha boca estava seca. "Não mate ele," eu implorei. "Por favor, Nakita."

"Bobinha," Nakita disse, seus lábios retorcidos em uma expressão feia. "Por que você se importa? Ninguém mais se importa. Ele falhou em te proteger, te trouxe para mim. E agora, você vai morrer."

"Eu vou com você! Só não mate ele. Me leve até o Kairos," eu exigi, tremendo. "Me deixe falar com ele."

"É exatamente o que eu pretendo fazer," Nakita disse, e então ela se deslocou, recuando.

"Nakita, não!" eu gritei enquanto ela arrastou a ponta de sua espada contra o crânio de Barnabas.

Silenciosamente as asas cinzas do ceifador branco luz inclinaram-se e ele caiu para frente, desmoronado contra a terra coberta de musgo. Suas asas o cobriram, e ele pareceu adormecido, um anjo descansando no chão de uma floresta.

Meu coração estava batendo novamente, e eu comecei a recuar. Nakita balançou suas asas e sorriu.

Uma pena suave deslizou dela, o branco puro sendo levado pela corrente até a terra no musgo verde, verde.

Eu corri.

Houve uma lufada de ar, e ela me tinha. Rápido assim, e tinha acabado. "Me solta!" eu gritei. Eu sabia que ficar invisível não iria ajudar se ela pudesse também. "Por que não pode me deixar em paz?"

"Eu me quero de volta," Nakita rosnou enquanto me segurava firmemente contra si.

"Eu não quero mais ficar com medo. As asas negras," ela disse, suas palavras cortadas enquanto sua voz subia de tom.

"Eu nunca conheci o medo. Eu já o vi, pensei que vocês todos fossem fracos por causa dele, mas não são. Eu não quero mais ter medo. Eu quero ser do jeito que eu era. Kairos pode me transformar no jeito que eu era. Mas ele precisa de seu amuleto para fazer isso."

Meu amuleto, eu pensei desafiadoramente, então berrei enquanto fomos repentinamente para o ar, esquivando quando explodimos pelo dossel e de volta para a luz. Seu braço estava apertado ao meu redor, e minhas pernas debateram-se até meus calcanhares encontrarem os pés dela e eu ficar em cima deles. Foi uma amostra de cooperação, mas pelo menos meu intestino não estava sendo empurrado para os meus pulmões.

"Nakita, sinto muito,” eu disse enquanto subíamos. "Eu não sabia que as asas negras iriam feri-la. Você estava tentando me matar!"

"Era minha tarefa, o seu destino," ela disse, segurando-me firmemente. "Não posso existir do jeito que eu sou agora. Eu serei do jeito que eu era!"

O ar estava frio. Sem aviso, Nakita lançou-se em um mergulho, suas asas dobrando ao nosso redor, embrulhando-nos num calor de um travesseiro macio. Lutei contra ela enquanto meu estômago caia e a vertigem me dizia que estávamos caindo.

"Fica quieta," Nakita rosnou, e então o mundo virou do avesso.

Eu gritei, minha mente incapaz de compreender a ausência absoluta de tudo.

Nenhum som, nenhum toque, nada. Era como se eu fosse as asas negras, nunca tendo existido, mas tendo o horror de saber que havia mais e que agora estava perdido para mim. Eu estava caindo, e não havia nada dentro da minha experiência para me dizer se isso iria acabar.

De repente as asas de Nakita estavam sobre mim mais uma vez, infundindo seu calor em mim. Eu inspirei seu cheiro, arfando de alívio, sentindo sua presença me levar de volta à sanidade.

Nós não estávamos nos movendo, e quando seu braço em torno de mim caiu, meus joelhos atingiram um chão duro.

Esforçando-me para levantar com meus músculos trêmulos, eu fui para trás, ficando de pé e tentando descobrir o que tinha acontecido. Minhas costas atingiram uma pilastra grossa segurando um dossel branco, e eu congelei, a boca escancarada.

Eu estava do lado de fora, de pé em uma varanda de mármore negro com veias douradas de furta-cor. Não havia corrimão entre ela e o gradual declínio dando em uma praia estreita abaixo. O sol estava logo acima do horizonte, mas a sensação fria e úmida no ar estava errada para o pôr-do-sol.

Estava se levantando sobre um oceano plano, não se pondo, e enquanto eu olhava para a vegetação esparsa com suas folhas pequenas e exterior duro projetado para sobreviver à seca, eu percebi que estava em algum lugar do outro lado da terra.

Um ruído de arrastar chamou minha atenção. Era Nakita, mas ela estava me ignorando enquanto eu saia do meu agacho instintivo. Suas asas tinham sumido, e ela estava placidamente ao lado de Kairos, que estava sentado atrás de uma pequena mesa coberta de livros velhos e com uma bandeja de café da manhã.

O timekeeper negro estava vestido com mantos soltos como os que Ron geralmente usava, parecendo jovem, fabulosamente refinado e elegante, composto e alto, sua expressão calma mantendo uma expectativa satisfeita.

Assustado, olhei para trás de mim para um prédio baixo construído na encosta, suas janelas largas abertas para os elementos. Cortinas deslocando-se para dentro e para fora da casa, movendo-se na brisa. Eu podia morrer aqui, e meu pai nunca saberia. "Essa é a sua casa, não é?" eu sussurrei, e o vento carregou minhas
palavras para Kairos.

Ele sorriu enquanto se levantava e vinha para a frente.

Eu estava morta. Eu estava tã-ã-ã-ão morta.