Mostrando postagens com marcador Tiger's Curse - Colleen Houck. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tiger's Curse - Colleen Houck. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Capítulo Um – Estudos


Várias horas letárgicas mais tarde, o avião finalmente aterrissou no aeroporto de Portland, no Oregon. Quando meus pés tocaram o asfalto da pista, corri o olhar do terminal para o céu cinza e nublado. Fechei os olhos e deixei a brisa fria soprar minha pele. Ela trazia o cheiro da mata. Um chuvisco suave cobriu meus braços nus. Era bom estar em casa.

Respirando fundo, senti o Oregon me trazer de volta à realidade. Eu fazia parte daquela terra e ela fazia parte de mim. Meu lugar era ali - onde eu crescera e passara toda a minha vida. Minhas raízes estavam ali. Meus pais e minha avó estavam enterrados ali. O Oregon me recebeu como a um filho amado, acolheu-me em seus braços frios, acalmou minha mente e me prometeu paz através de seus pinheiros sussurrantes.

Nilima desceu os degraus logo depois de mim e esperou em silêncio enquanto eu absorvia o ambiente familiar. Ouvi o zumbido de um motor veloz e um conversível azul cobalto surgiu na esquina. O elegante carro esportivo era da mesma cor dos olhos dele.

O Sr. Kadam deve ter providenciado o carro. Revirei os olhos lembrando seu gosto por coisas caras. Ele pensava em cada mínimo detalhe - e sempre com estilo. Pelo menos o carro é alugado, pensei.

Guardei minha bagagem no porta-malas e li na traseira: Porsche Boxster RS 60 Spyder. Balancei a cabeça e murmurei:

- Meu Deus, Sr. Kadam. Eu me contentaria em pegar o ônibus para Salem.

- O quê? - perguntou Nilima, educadamente.

- Nada. Só estou feliz por chegar em casa.

Fechei o porta-malas e afundei no assento de couro em dois tons de azul e cinza. Partimos em silêncio. Nilima sabia exatamente aonde estava indo, portanto não me dei ao trabalho de lhe ensinar o caminho. Eu apenas recostei a cabeça e fiquei observando pela janela o céu e a paisagem verde passarem.

Adolescentes passavam por nós, assobiando de seus carros, admirando ou a beleza exótica de Nilima, com seus longos cabelos escuros voando ao vento, ou o belo automóvel em que estávamos. Não sabia bem qual dos dois inspirava os assovios, só que não eram para mim.

Eu usava minhas roupas de sempre: camiseta, calça jeans e tênis. Fios de cabelo castanho dourado se emaranhavam em minha trança e açoitavam meus olhos castanho-avermelhados e meu rosto riscado pelas lágrimas. Homens mais velhos também passavam por nós devagar. Eles não assobiavam, mas certamente admiravam a visão. Nilima os ignorava e eu pensava: Devo estar tão horrível por fora quanto me sinto por dentro. 

Quando chegamos ao centro de Salem, passamos pela ponte Marion Street, que teria nos levado ao outro lado do rio Willamette e à Rodovia 22, na direção das fazendas de Monmouth e Dallas. Avisei a Nilima que ela havia perdido a saída, mas ela se limitou a dar de ombros e disse que estávamos tomando um atalho.

- Tudo bem - retruquei com sarcasmo. - O que são mais alguns minutos em uma viagem de dias?

Nilima jogou seu lindo cabelo para trás, sorriu para mim e continuou dirigindo, movendo-se em meio ao tráfego que seguia para South Salem. Eu nunca fora para aqueles lados antes. Era definitivamente o caminho mais longo para Dallas.

Nilima seguiu em direção a um grande morro coberto pela mata. Subimos lentamente pela linda estrada sinuosa, margeada por árvores ao longo de vários quilômetros. Vi ruas de terra seguindo em meio às árvores e casas que pontilhavam a floresta aqui e ali, mas a área era em grande parte intocada.

Fiquei surpresa pelo fato de a cidade ainda não a ter anexado e começado a construir ali. Era um lugar encantador.

Reduzindo a velocidade, Nilima tomou uma estrada particular, subindo ainda mais a colina. Embora passássemos por caminhos secundários, eu não via construções. No fim da estrada, paramos diante de uma casa geminada aninhada no meio da floresta de pinheiros.

Cada lado do prédio era a imagem espelhada do outro, com dois andares, garagem e um pequeno pátio compartilhado.

Ambos tinham uma ampla janela na sacada que dava para as árvores. O revestimento de madeira era pintado de castanho e um tom escuro de verde-turquesa, e o telhado era coberto com telhas verde-acinzentadas. Lembrava, de certa forma, um chalé de esqui.

Nilima entrou suavemente na garagem e desligou o carro.

- Chegamos em casa - anunciou ela.

- Em casa? Como assim? Não vamos para a casa dos meus pais adotivos? - perguntei, ainda mais confusa do que já estava.

Nilima sorriu, compreensiva.

- Não. Esta é a sua casa - disse ela delicadamente.

- Minha casa? Do que você está falando? Eu moro em Dallas. Quem mora aqui?

- Você. Venha, vamos entrar, que eu explico.

Passamos por uma área de serviço e entramos na cozinha, que era pequena, com cortinas amarelas, eletrodomésticos de aço inoxidável novinhos em folha e paredes decoradas com motivos verde-limão. Nilima pegou duas garrafas de refrigerante diet na geladeira.

Larguei minha mochila no chão e disse:

- Ok, Nilima, agora me diga o que está acontecendo.

Ela ignorou meu pedido. Em vez disso, me ofereceu o refrigerante, que recusei, e então sugeriu que a seguisse.

Suspirando, tirei os tênis para não sujar o carpete felpudo da casa e a segui até a pequena e charmosa sala de estar. Ali nos sentamos em um belo sofá de couro marrom. Uma estante alta, cheia de clássicos encadernados com capa dura que provavelmente custavam uma fortuna, me acenava convidativa do canto, enquanto uma janela ensolarada e uma televisão grande de tela plana sobre um rack de madeira polida também competiam pela minha atenção.

Nilima começou a folhear os papéis deixados sobre uma mesa de centro.

- Kelsey - começou ela -, esta casa é sua. É parte do pagamento pelo seu trabalho neste verão na índia.

- Eu não estava trabalhando, Nilima.

- O que você fez foi o trabalho mais vital de todos. Você realizou muito mais do que qualquer um de nós sequer tinha esperança de conseguir. Temos uma grande dívida com você e essa é uma pequena forma de recompensar seus esforços. Você superou obstáculos terríveis e quase perdeu a vida. Somos todos muito gratos.

Constrangida, brinquei:

- Bem, agora que você colocou a coisa dessa maneira... Ei, espere! Você disse que esta casa é parte do meu pagamento? Está dizendo que tem mais?

Com um gesto afirmativo da cabeça, Nilima disse:

- Tem.

- Não. Eu não posso aceitar este presente. Uma casa já é um exagero... E ainda tem outras coisas? É bem mais do que combinamos. Eu só queria algum dinheiro para pagar os livros da faculdade. Ele não devia fazer isso.

- Kelsey, ele insistiu.

- Bem, então vai ter que desinsistir. Isso é um exagero, Nilima. É sério.

Ela suspirou ao olhar para meu rosto, que exibia uma determinação férrea.

- Ele quer que você fique com a casa, Kelsey. Isso vai deixá-lo feliz.

- Mas não é nada prático! Estou no meio do nada. Agora que voltei para casa, pretendo me matricular na faculdade e não há linhas de ônibus que passem por aqui.

Nilima me dirigiu um olhar perplexo.

- O que quer dizer com pegar o ônibus? Se quiser mesmo ir de ônibus, poderá dirigir até o terminal.

- Dirigir até o terminal? Isso não faz o menor sentido.

- Bem, o que você está falando é que não faz o menor sentido. Por que você não quer ir de carro para a faculdade?

- De carro? Que carro?

- O que está na garagem, é claro.

- O que está na... Ah, não. Você só pode estar brincando!

- Não. Não estou brincando. O Porsche é seu.

- Ah, não. Não é não! Você sabe quanto custa aquele carro? De jeito nenhum!

Peguei meu celular e procurei o número do Sr. Kadam. No instante em que ia pressionar o botão de chamada, ocorreu-me algo que me deteve imediatamente.

- Tem mais alguma coisa que eu deva saber?

- Bom... - disse Nilima, hesitante. - Ele também tomou a liberdade de matricular você na Universidade Western Oregon. O curso e o material didático já foram pagos. Seus livros estão no balcão, ao lado de sua lista de disciplinas, um moletom da Western Oregon e um mapa do campus.

- Ele me matriculou na Western Oregon? - perguntei, incrédula. - Eu estava planejando ir para a faculdade comunitária local e trabalhar... não entrar para a Western Oregon.

- Ele deve ter achado que você iria preferir uma universidade maior. Suas aulas começam na próxima semana. Quanto a trabalhar, você pode, se quiser, mas não será necessário. Ele também abriu uma conta bancária para você. O cartão está no balcão. Não se esqueça de assiná-lo no verso.

Engoli em seco.

- E... hã... exatamente quanto dinheiro tem nessa conta?

Nilima deu de ombros.

- Não faço a menor ideia, mas tenho certeza de que é o suficiente para seus gastos pessoais. Naturalmente, nenhuma das suas contas de consumo será enviada para cá. Tudo irá direto para um contador. A casa e o carro já estão quitados, assim como todas as suas despesas na universidade.

Ela deslizou uma maço de papéis na minha direção e então recostou-se e bebericou seu refrigerante.

Fiquei ali sentada, imóvel, por um minuto e então me lembrei de minha decisão de ligar para o Sr. Kadam. Abri o telefone e procurei o número.

Nilima me interrompeu.

- Tem certeza de que quer devolver tudo, Kelsey? Estou certa de que ele faz questão de que você fique com essas coisas.

- O Sr. Kadam deveria saber que eu não preciso de sua caridade. Vou explicar que a faculdade comunitária é mais do que adequada e que realmente não me importo de morar no dormitório e andar de ônibus.

Nilima se inclinou para a frente.

- Mas, Kelsey, não foi o Sr. Kadam quem providenciou tudo isso.

- O quê? Se não foi o Sr. Kadam, então quem... Ah! - Fechei o telefone imediatamente. Não havia a menor chance de eu ligar para ele, qualquer que fosse o motivo. - Então ele faz questão disso, não é?

As sobrancelhas arqueadas de Nilima se juntaram, expressando sua confusão.

- É, eu diria que sim.

Deixá-lo havia quase dilacerado meu coração. Ele estava a mais de 11 mil quilômetros de distância, na Índia, e ainda assim arranjava um jeito de ter algum poder sobre mim.

- Muito bem - resmunguei. - Ele sempre consegue o que quer mesmo. Não tem sentido eu tentar devolver. Ele vai pensar em algum outro presente exorbitante, que só vai servir para complicar nosso relacionamento ainda mais.

Um carro buzinou lá fora, na entrada.

- Minha carona de volta ao aeroporto chegou - disse Nilima, levantando-se. - Ah! Eu quase esqueci. Isto aqui também é para você. - Ela colocou um celular novo na minha mão, substituindo o aparelho velho, e me abraçou rapidamente antes de se dirigir à porta da frente.

Prólogo - De Volta para Casa


Agarrei-me ao assento de couro e senti o coração disparar enquanto o avião particular ganhava o céu, afastando-se da índia. Tinha certeza de que, se voltasse o cinto de segurança, atravessaria o piso e mergulharia em queda livre em direção às selvas lá embaixo. Somente assim eu me sentiria inteira novamente. Eu havia deixado meu coração na Índia; podia sentir sua ausência em meu peito. Tudo o que restava de mim era uma casca vazia, entorpecida e sem sentido.

A pior parte era que... eu fizera isso a mim mesma.

Como eu pudera me apaixonar? E por alguém tão... complicado? Os últimos meses haviam voado. Não sei como, de um trabalho no circo eu partira em uma viagem para a Índia com um tigre - que vinha a ser um príncipe indiano – e travara batalhas contra criaturas imortais, tentando juntar os pedaços de uma profecia perdida. Agora minha aventura havia chegado ao fim e eu estava sozinha.

Era difícil acreditar que apenas alguns minutos antes eu tinha dito adeus ao Sr. Kadam. Ele não falara muita coisa. Havia se limitado a dar tapinhas em minhas costas enquanto eu o abraçava com força, sem querer soltá-lo. Por fim, o Sr. Kadam se libertara dos meus braços, murmurara algumas palavras na tentativa de me tranquilizar e me entregara aos cuidados de sua tatatatatataraneta, Nilima.

Felizmente, no avião, Nilima me deixou sozinha. Eu não queria a companhia de ninguém. Ela me serviu o almoço, mas eu não conseguia nem pensar em comer. Sabia que estava delicioso, mas tinha a sensação de estar andando perto de areia movediça. A qualquer segundo, poderia ser sugada para um abismo de desespero. A última coisa que queria era comer.

Sentia-me desgastada e inútil, como o embrulho amassado de um presente de Natal.

Nilima retirou a refeição e tentou me seduzir com minha bebida favorita - água bem gelada com limão -, mas eu a deixei na mesa. Fiquei olhando para o vidro sabe-se lá por quanto tempo, observando a água se condensar no exterior do copo, formando gotículas que escorriam lentamente e empoçavam em torno da base.

Tentei dormir, me esquecer de tudo pelo menos por algumas horas, mas aquela tranquilidade estava fora do meu alcance.

Pensamentos sobre meu tigre branco e a maldição secular que o aprisionava disparavam em minha mente enquanto eu examinava o espaço ao redor. Eu fitava o assento vazio do Sr. Kadam à minha frente, olhava pela janela ou observava uma luz piscando na parede. De vez em quando me voltava para minha mão, traçando com o dedo o lugar onde a pintura de hena feita por Phet encontrava-se invisível.
Nilima voltou com um MP3 player com milhares de músicas.

Várias eram de artistas indianos, mas a maior parte era de americanos. Rolei a tela em busca das canções de amor mais tristes, pus os fones nos ouvidos e apertei o PLAY.

Abri o zíper da mochila para pegar a colcha de minha avó, só então lembrando que havia embrulhado Fanindra com ela.

Puxando as pontas da colcha, espiei a serpente dourada, um presente da deusa Durga, e a coloquei ao meu lado no braço da poltrona. A joia encantada estava enroscada, descansando - ou pelo menos era o que eu supunha. Esfregando-lhe a cabeça dourada e lisa, sussurrei:

- Você é tudo o que eu tenho agora.

Estendendo a colcha sobre minhas pernas, recostei-me na poltrona reclinada, olhei para o teto do avião e fiquei ouvindo uma canção chamada "One Last Cry". Mantendo o volume baixo, coloquei Fanindra no colo e acariciei os anéis reluzentes de seu corpo. O brilho verde dos olhos preciosos da cobra iluminava suavemente a cabine do avião e me consolava, enquanto a música preenchia o vazio em minha alma.

Tiger's Curse: Tiger's Quest (capa)


Tiger's Curse 02: Tiger's Quest


Autora:  Colleen Houck


Sinopse:  'O resgate do tigre' é a sequência do livro 'A maldição do tigre', em que os três personagens principais dão mais um passo para quebrar a antiga profecia que os une. Kelsey Hayes vivencia muitas aventuras e se apaixona por Ren, um príncipe indiano que já viveu 300 anos. Agora que ameaças obrigam Kelsey a encarar uma nova busca, ao lado de Kishan - irmão de Ren -, a dupla começa a questionar seu destino. A vida de Ren está por um fio, assim como a verdade no coração de Kelsey.


Só para adiantar o que está por vir ...


xoxo,

sophia bittencurt.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

The Secret Circle 02: The Captive

Autora:  Lisa Jane Smith


Sinopse: Cassie está sendo chantageada por Faye para roubar a poderosa Caveira de Cristal, e, por acidente, desencadear uma força maligna sobrenatural, que Cassie acredita ser responsável por uma série de assassinatos que imitam os atos de tortura das bruxas de Salem. Enquanto isso, o Círculo chega a um ponto crucial em sua história, em que um novo líder deve ser eleito e, com Faye ameaçando revelar os segredos mais profundos de Cassie, pode significar um desastre para todos os envolvidos.


só para adiantar o que está por vir ..


 xoxo,
sophia bittencurt.